Se encontre, se perca, se deite e sonhe. Dance e olhe para dentro. Olhe para nunca se esquecer de quem és.

domingo, 29 de novembro de 2015

Mudanças


A vida é feita de mudanças e é nelas que descobrimos tanta coisa inútil ocupando espaço, tanta coisa velha que precisa ser substituída e tanta coisa maravilhosa que estava escondida... 
É na mudança que escolhemos ficar com o que tem valor sentimental e reduzir os desafetos e desagrados. 
É na mudança que descobrimos que se organizar facilita o depois e que nem tudo precisa ser revolvido e modificado. Algumas gavetas permanecem exatamente como estão e só mudam de endereço. 
É na mudança que as lembranças vem à tona e você começa a contabilizar quantas vezes já precisou passar por isso. Umas por querer, outras por imposição, mas todas com saldo positivo. É quando você descobre amor pelo que construiu e conclui que, desde a primeira mudança, a bagagem já é outra: mais conquistas, mais zelo, mais seu jeito. 
Mudanças são sempre bem vindas. É por vivê-las que reconheço as coisas essenciais e tenho a certeza de que estas eu levo na bolsa de mão.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Será?

Estive pensando sobre uma coisa que tem sido assunto frequente nas rodinhas de amigos, nas redes sociais, em alguns blogs e na cabeça das pessoas um pouco razoáveis: a solução para o Machismo.
O que poderíamos inventar? Que atitude ter? Qual careta? Qual palavra? Um palavrão ou simplesmente ignorar? Não cheguei a uma conclusão.
Quando penso em algumas revistas cultuando seios duros, glúteos definidos e barrigas retas, vejo que se optassemos por começar a criticar a barriguinha de chop no mesmo grau que somos criticadas por uma celulite, talvez algum sentimento de humilhação passasse pela cabeça deles. Mas é isso que queremos? Humilhá-los? Não. Então criticar o corpo não é uma opção. Buscamos admiração mútua.
Quando vejo que algumas mulheres dizem ouvir de seus companheiros que ninguém a obrigou a trabalhar fora ao pedirem ajuda nas tarefas domésticas, penso que deixar a casa "explodir" poderia resolver, pois eles não conseguiriam viver na sujeira, sem ter o que comer, sem roupa limpa, sem um copo pra beber água, sem conforto e aí talvez pegassem numa vassoura. Mas e nós? Conseguiriamos viver nessas condições? Não. Então deixar a casa "explodir" também não é uma opção. Buscamos parceria.
- Ô gostoso! Que #$&@ enorme hein!! Nooossa! - nesse caso poderíamos fazê-los sentir vergonha e desconforto como acontece conosco ao sermos observada de maneira obscena ou cantada, mas aí estaríamos sendo tão invasivas quanto eles e não é isso que buscamos. Estariamos nos expondo ainda mais. Exposição excessiva é o que queremos? Não. Então cantadas também não seriam uma opção. Buscamos a liberdade do "anonimato".
Será que existe um jeito de reverter isso sem que a humanidade precise ser extinta? Vou continuar pensando e rezando pra que essa reflexão não me torne pessimista...


quarta-feira, 24 de junho de 2015

O que está havendo?


Por que estamos tão frágeis? Nossas convicções, nossos princípios, nossa fé. Qualquer opinião contrária a nossa nos melindra, qualquer chacota é bullyng e qualquer "tomara!" é repreendido em nome de jesus. Desconfiamos até da sombra e qualquer um é mau até que prove o contrário.
A sensação que dá é que quanto mais se prega a intolerância, mas intolerância se tem. Será que estamos tão sem tempo que qualquer coisa que tire a atenção de nossos próprios interesses, é desimportante? Ou será o clima? Ao mesmo tempo que não queremos nos ocupar dos outros, queremos que se ocupem de nós, com dezenas de redes sociais que criamos só para receber o maior número de curtidas e cometários possíveis.
Estamos individualistas, sarcásticos e irônicos. Nossos pavios estão curtos para qualquer um que atravesse a frente da televisão, que atrapalhe a conclusão de uma frase e que não responda o zap dentro dos próximos 30 segundos.
Se nossa fé está sendo abalada e incomodada com tudo que estamos vendo e ouvindo, então ela não existe. É uma fé de mentiras e sem fundamento no que mais importa que é a nossa subjetividade em relação ao que acreditamos existir no intangível. Há nexo em nos ocuparmos de discursos que não nos representam? E se você não acredita em nada disso, há nexo em se ocupar de discursos que não te representam?
Estamos frágeis no corpo e na mente, intolerantes ao extremo, incisivos, devaneantes, e desequilibrados. Quando não estamos enterrados no comodismo, sofrendo e depressivos, estamos flutuando numa realidade que não é a nossa, sonhando com vitórias fáceis e respostas rápidas. Quando caminharemos em solo firme? Firmes também em quem somos e de nossas escolhas? 
Hoje estamos em um lugar e estamos realizando coisas, mas o que somos não é o que estamos. O que somos precisa ser buscado dentro de nós mesmos e não fora. O que está fora é passageiro e não me refiro a vida e morte e sim a fases da própria vida onde hoje estamos algo que amanhã pode não ser mais uma verdade e daí passarmos a outro estado. O que somos não muda aqui ou na China. 
Penso que não há respostas, mas podemos começar aceitando as verdades que já conhecemos ao invés de espernear e achar que o mundo está conspirando contra nós.



sábado, 7 de março de 2015

Frágil? Com certeza não!!


Mulher, qual é a sua história?
Ontem recebi uma rosa que é símbolo de delicadeza e beleza (características atribuídas à mulher e que sempre são exaltadas às vésperas do dia 08 de Março). Sim, linda e cheirosa rosa! Apreciei o gesto oferecido, também as demais mulheres presentes ali, porém naquele momento comecei a refletir sobre minha história e o seu valor. Pensei sobre o quanto minha trajetória (que não posso trazer escrita na testa, infelizmente) diz sobre o que sou hoje e se não estou sendo subestimada e alvo de preconceito por não ter "calos" visíveis e "bolhas" prestes a estourar. Não quero flores, quero respeito e empatia tanto dos homem quanto das mulheres.
Desde pequena tive que ser disciplinada, tanto na escola, como no ballet. Meus pais, que me educaram muitíssimo bem, eram exigentes e não aceitavam que eu não tentasse vencer. Eles sabiam que nem sempre a vitória viria, mas queriam que eu tivesse ao menos tentado com dedicação, empenho e disciplina. Não estou falando de competições esportivas ou gincanas de matemática. Estou falando da vida, do dia a dia, da minha disputa comigo mesma. Com 15 anos entrei para um grupo de Aérobica Esportiva que 4 meses depois iria para um campeonato Sul-americano, na Argentina, e eu precisava aprender todos os elementos, ganhar força (muita força), flexibilidade e a confiança da equipe. Nossos treinos eram aos Sábados (de 7h as 23h) e Domingos (até 11h). Não foi fácil e mais uma vez precisei de muita dedicação e disciplina. Viajamos, disputamos, ganhamos medalhas e cumprimos a missão. Aos 17 comecei a sonhar em morar nos Estados Unidos. Até fiz planos com uma amiga, mas não deu certo. Fui então morar e trabalhar em Niterói. Todos os dias eu pegava a barca para o centro do Rio e vendia camisolas de luxo numa loja da Sete de Setembro. Foi 01 ano neste endereço e depois mais 01 ano na loja de Icaraí até passar na audição da Cia de Dança Contemporânea da UFRJ e virar bolsista de iniciação artística. Morei um tempo na minha avó, outro no meu tio, mas depois fui para uma pensão onde o quarto possuia 6m². Era um quarto bem pequeno, mas o suficiente para mim. Foi um tempo bom onde encontrei pessoas que guardo no coração com muita saudade. 
Com a faculdade (Bacharelado em Dança) a vida ficou um pouco mais divertida. Conheci gente nova, dancei, criei, motivei, viajei e me mudei 04 vezes de residência. Morei novamente com meu tio, minha avó e depois duas repúblicas diferentes onde em uma eramos em 9 meninas e na outra, em 6. Ao longo da faculdade meu principal trabalho foi a Companhia e depois a Monitoria em Anatomia Humana, para as quais eu recebi bolsa. Porém no último ano do curso eu trabalhei como professora de ballet, jazz e contemporâneo em algumas academias de dança ganhando pouco (as vezes até pagando para trabalhar), assistindo dança, me emocionando, criando laços com alunas, pegando ônibus tarde da noite na passarela da Novo Rio, passeando e sonhando.
No meio disso tudo conheci um amor com quem compartilho a vida hoje e que me faz ser melhor a cada dia. Depois de muitas dúvidas juntos decidimos estudar Engenharia e assim começou mais uma etapa da vida onde sem dedicação não teríamos sucesso. Estou a 4 anos no curso de Engenharia de Produção e a 03 morando e trabalhando em Macaé.
Porque contei minha história?
Vez ou outra ouço discursos machistas irritantes (vindos de homens e mulheres) sobre sermos cheias de "mimimi", sobre o quanto é mais difícil para os homens se manterem fieis, sobre como alguém com pele e cabelos tratados pode estar falando sério quando diz que faxina sua própria casa, sobre o quão dificultoso é carregar sacolas de compras. Discordo de tudo isso! Imagina que até de lésbica já fui chamada por elogiar mulheres de maneira verdadeira e sem recalque ou inveja. Contei minha história porque penso que devo me orgulhar dela mesmo que escute todos os dias palavras de preconceito sobre quem pareço ser. Vamos cair na real e parar de julgamentos sem fundamento. Quem disse que mulher não sabe montar um armário? Ou que homem não pode passar uma camisa social? Isso é nossa culpa, também. Nós mulheres ainda não entendemos que devemos buscar espaço pelas habilidades e não pelas deficiências. Você leu isso? Vou repetir: buscar espaço pelas habilidades e não pelas deficiências. Sejamos coerentes com nossas histórias de vida onde cada uma conhece as dificuldades e as delícias. Não queira ser frágil! Eu não sou.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Egos


Por que um motorista de ônibus não abre a porta para uma idosa? Quanto poder, não? Isso é medíocre.
Sim, os policiais precisam impor ordem à uma manifestação. É o trabalho deles. Mas spray de pimenta nos olhos de imparciais? É o poder, afinal.
Que contradição!!! É o povo contra o povo e os malfeitores se vangloriando do "poder" que sentem possuir. Que estúpidos. Um querer medíocre, podre e vazio, de prejudicar e atrapalhar o ciclo que passa, também, por eles. Será que a vontade de ser superior e mais rico (ou menos pobre) e mais influente e mais popular, ultrapassa a razão? O que ganham com "todo esse poder" são egos inflados de gás metano: fétidos e inúteis.
Essa figura do negro sendo "castigado" é, sem dúvida, mais do que se vê. É covardia consciente. Igualzinha as que citei acima. Porque não venha me dizer que quem surrava os negros até esfolar não sabia que estavam agindo errado. Sentimento e sofrimento também se vê além de sentir e, enquanto a injustiça pra alguns é como a morte, pra outros é lazer. Tem que haver reflexão, mas muitas vezes o intelecto perde para a ambição e a ignorância.
Sempre que leio ou assisto sobre o tempo da escravidão, os sentimentos mais doloridos futucam minhas feridas e me fazem um misto de indignação, raiva e perda de esperança. Porque eu não me reporto somente àquele tempo, mas sim ao nosso que em nada difere e em nada evoluiu, pois as pessoas são as mesmas, com os mesmos ideais e ilusões de que precisam se sentir superiores a todo custo, pisando, humilhando e abusando de suas posições, muitas vezes tão estúpidas quanto quem as ocupa.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Um mundo Sépia!


Gosto de ver o mundo através dos meus óculos escuros porque eles não são tão escuros assim...
Quando preencho meu rosto com eles, me sinto mais segura (apesar dos meus olhos ainda estarem visíveis), porém não é só por isso que gosto de usá-los. Com eles o mundo me parece mais suave. As cores deixam de ser tão vivas e tornam-se tons pastéis. A pele fica mais bronzeada, mas lisa e as pessoas ficam mais "distantes".
Quando olho pra areia da praia, parece veludo e o mar fica mais calmo. Aquelas ondulações mais claras somem. É como se eu pudesse escolher o que ver independente de para onde eu olhe. Com eles consigo caminhar no sol sem franzir o senho e fotografar sem perder a noção da luminosidade do dia.
Usar meus óculos me dá a sensação de viver num mundo sem palidez. Um mundo Sépia! Nada destoa. São tons sobre tons que preenchem uma paleta de cores que nunca saem de moda. Os defeitos ficam camuflados e as qualidades mais afloradas, assim como nas fotografias em P&B.
Poucas coisas me incomodam quando estou de óculos escuros. Usá-los é como colocar um filtro entre o mundo e eu. Um filtro não só de cores, mas também de ideias e atitudes (minhas e alheias). É não perceber o caos permanente e poder organizar a meu modo o
que meus olhos escolheram ver.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

De Pai



Amor intenso, de braços dados e olhos firmes. Que vem de dentro da alma e transcende em carinho e suavidade.
Um amor de sorrisos largos, gargalhadas altas, lágrimas de alegria e receptividade sem medida.
É um amor entre amigos, pai e filho, companheiros. Amor construído antes de nascer, crescente na observação e tempo. É um amor que ultrapassa vislumbramentos, momentos, sentimentos.
Amor incondicional e real. Daqueles que superam diferenças, impermanências e ausências. É de verdade e pra a eternidade.
Amor de pai, de amigo, de coração.  

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Alívios

Existe coisa melhor do que arrancar a parte e cima do biquini? Principalmente se for por de baixo da blusa!!
Não há nada mais gostoso do que chegar em casa e tirar a calça jeans suada e prender os cabelos de modo que não toque no pescoço...
Coisas como fazer xixi quando se está apertado, tomar água quando se tem sede e pegar no sono quando ele vem, são coisas que dificilmente haverá algo mais prazeroso em 1000 anos!!
E sair de um calor daqueles e entrar num ambiente com ar condicionado? 19°C, perfeito! Pisar no chão gelado com os pés quentes é também delicioso. Parece que o corpo todo fica fresquinho...
Existe coisa melhor do que o silêncio após um intenso e interminável barulho? 
Existe algo mais delicioso do que estar com sede e tomar um gole de Coca-Cola bem gelada? Pode valer pra cerveja também... bem geladinha, trincando!! 
Tem coisas tão boas e simples né?
Chegar em casa depois de passar uns dias viajando... Nada como nossa caminha, nossos cantinhos.
Bom mesmo é quando achamos um trocadinho no bolso bem na hora que bate aquela vontade de comprar uma empada.
Não sei se já perceberam, mas sentar depois de ficar batendo perna por algumas horas é quase um orgasmo de tão prazeroso. As perninhas, tadinhas, não sabiam que estavam tão cansadas.
A sensação de limpeza também é boa. Depois de faxinar, apesar do cansaço, poder deitar no chão é uma maravilha. Eu adoro lavar os pés com bucha, por exemplo. Parece que tá saindo até a sujeira que não tem.
Enfim, alívios são tão magníficos que são capazes de tirar qualquer ruga da testa ou pensamento negativo! Refresque as axilas no vento e deixe a cabeça leve. Tem tantas formas...
Vou ali deitar no chão e já volto!!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Poesia escrita

Abre os teus armários, eu estou a te esperar
Para ver deitar o sol sobre os teus braços castos
Cobre a culpa vã, até amanhã eu vou ficar
E fazer do teu sorriso um abrigo
Canta que é no canto que eu vou chegar
Canta o teu encanto que é pra me encantar
Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz
Tristeza nunca mais
Mais vale o meu pranto que esse canto em solidão
Nessa espera o mundo gira em linhas tortas
Abre essa janela, a primavera quer entrar
Pra fazer da nossa voz uma só nota
Canto que é de canto que eu vou chegar
Canto e toco um tanto que é pra te encantar
Canto para mim qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz
Tristeza nunca mais

(Casa Pré Fabricada - Los Hermanos)