Alguns dias são interrupções do silêncio. Coisa que não posso chamar de som porque não me distrai, mas também não é silêncio porque, de alguma forma incomoda a vida. É ruído quase imperceptível que me acorda de pensamentos profundos. Gota de sussurro que invade a mente e transforma meu lago espelhado numa seqüencia interminável de ondas que, geometricamente, vão cessando.
As vezes parece que até o silêncio absoluto ensurdece com o seu "não vibrar de coisa alguma". Dormir parece impossível e ler se torna em vão já que nada do que passar pelos olhos chegará ao pensamento. A unica coisa que existe é o que quase não existe: silêncio.
Uma vez escutei que "música é silêncio interrompido por sons". Meus dias são música. São Jazz. Sempre tem algo se repetindo. Algumas repetições divertem mas outras irritam. Gotas, um atrás da outra, caindo numa placa de ferro. Berros de pirraça, incessantes, eternos, minutos inteiros de agonia. Uma tarde inteira para esperar e no fim dela, a noite para escutar o silêncio sussurrando tão baixo que quase não se escuta o que ele diz. Com sorte terá sido "boa noite".
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