Se encontre, se perca, se deite e sonhe. Dance e olhe para dentro. Olhe para nunca se esquecer de quem és.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Janeiro 2011

Hoje eu chorei de tristeza, de agonia e de vontade de poder mudar o que já foi. Talvez até tenha sido um choro em vão. Eu vi que nem tudo está tão longe como eu pensava e que as tragédias podem sim chegar tão perto a ponto de nos dar medo. Não é egoísmo, mas todos nós, quando vemos algo terrível acontecer em algum lugar do planeta pensamos que ainda é bom estarmos seguros, porém hoje eu chorei assim como em abril do ano passado com aquela tragédia no morro do Bumba, em Niterói. Senti como se fosse em mim e como se a minha casa tivesse sido arrastada pelo rio. Ver aquelas imagens, ver a cidade de Nova Friburgo toda cheia de lama, pessoas pedindo ajuda...Meu Deus, é tão triste ver que a cada dia as coisas estão mais terríveis. Os desastres são cada vez maiores, a força das chuvas, do vento. Eu tenho tido muito medo e ele passa pela sensação de impotência. Saber que ninguém pode fazer nada pra evitar que a chuva caia ou que o chão trema. É muito triste e, mesmo que pareça uma besteira refletir sobre isso, eu quero acreditar que nossa passagem aqui não é o todo, mas deve acontecer da melhor forma possível e isso inclui ser útil e amar, mesmo que nunca seja o suficiente.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Silêncio

Alguns dias são interrupções do silêncio. Coisa que não posso chamar de som porque não me distrai, mas também não é silêncio porque, de alguma forma incomoda a vida. É ruído quase imperceptível que me acorda de pensamentos profundos. Gota de sussurro que invade a mente e transforma meu lago espelhado numa seqüencia interminável de ondas que, geometricamente, vão cessando.
As vezes parece que até o silêncio absoluto ensurdece com o seu "não vibrar de coisa alguma". Dormir parece impossível e ler se torna em vão já que nada do que passar pelos olhos chegará ao pensamento. A unica coisa que existe é o que quase não existe: silêncio.
Uma vez escutei que "música é silêncio interrompido por sons". Meus dias são música. São Jazz. Sempre tem algo se repetindo. Algumas repetições divertem mas outras irritam. Gotas, um atrás da outra, caindo numa placa de ferro. Berros de pirraça, incessantes, eternos, minutos inteiros de agonia. Uma tarde inteira para esperar e no fim dela, a noite para escutar o silêncio sussurrando tão baixo que quase não se escuta o que ele diz. Com sorte terá sido "boa noite".